terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Caixinha de Ilusões


"Slumdog Millionaire" não é definitivamente o filme do ano.
A banalização da imagem e a montagem frenética (que em momentos é uma virtude), desmaterializam a noção romântica que poderia existir a espaços na narrativa.
Um filme que poderia viver da nostalgia, da magia da infância e do poder do sonho e do destino, é trucidado num jogo "televisivo" algo cansativo.
Mas na verdade é um filme fácil de agradar, até porque nos tempos de hoje vender sonhos é cada vez mais importante, nem que lá no fundo sintamos que estamos a ser enganados.
P.S. - O trailer de "Gran Torino" exibido antes do filme de Danny Boyle, ajuda a afundar "Slumdog Millionaire".

domingo, 25 de janeiro de 2009

Leitura do dia

Belo texto de João Lopes, bem acima da crítica do cinema, uma lição de "antropologia do produtor(?) de cinema".

http://dn.sapo.pt/2009/01/25/artes/a_ideologia_alexandre_valente.html

domingo, 18 de janeiro de 2009

2008 já foi...

... e entre algumas coisas que vi e muitas outras que perdi, o inevitável (e atrasado Top 10) fica aqui, por ordem de estreia em território nacional:

"O Assassinato de Jesse James pelo Cobarde Robert Ford" de Andrew Dominik

"Cristovão Colombo - O Enigma" de Manoel de Oliveira

"Expiação" de Joe Wright

"Darjeeling Limited" de Wes Anderson

"Haverá Sangue" de P.T. Anderson

"O Acontecimento" de M.Night Shyamalan

"Aquele Querido Mês de Agosto" de Miguel Gomes

"Entre os Dedos" de Tiago Guedes e Frederico Serra

"Wackness - À Deriva" de Jonathan Levine

"Austrália" de Baz Lurhman

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Das entranhas... DEAMBULADORES

DEAMBULADORES | Ensaio para Sinfonia Urbana

Desde a Antiguidade, foram as cidades que fomentaram os mitos, as religiões. Da mesopotâmia à Grécia edifícios foram erigidos pela mão do Homem sem olhar ao calo que tamanho esforço faria crescer. Bagdade de bastião da urbe clássica médio-oriental, fez tombar caçadores e dominados, a Torre de Babel, essa, desmoronou-se e trouxe às ruas a comunhão criminosa do poder.
No entanto, é na cidade que reside o ímpeto e é com e através dele que nós, os últimos deambuladores, caminhamos pelo mesmo trilho que nos conduz à Babilónia.
Não somos três, mas quatro. Não levamos connosco oferendas, muito menos governamos. Buscamos a vertigem do passo, o esgar da avenida que se precipita para o Rio.
Queremos sempre mais e é na gula que reside a nossa fraqueza. Dêem-nos vinho e pão, deixem-nos presenciar o circo de montras, espelho reflectindo a alma apalhaçada dos transeuntes. Quem nos poupa uma graça paga a promessa de se esvair. Quem falha, junta-se a nós. Imaterial.
Entre nós não está Gainsbourg, Truffaut, Baudelaire ou Honoré. E não, Porto não é Londres.
Evoco o francês que a dada altura proferiu: Une nuit que j´etais a me morfondre dans quelque pub englais du coeur de Londres parcourant l´amour monstre de Pauwels me vint une vision dans l´eau de Seltz. Aqui os monstros são de cimento, ferro e bronze, residem nas estátuas lascivas, quais gárgolas de seios fartos, seduzindo quem passa, lá do alto. Pauwels está morto. Não conheceu o Douro, verdadeiro monstro. É nas suas águas que ele se banha, elegante nos seus reflexos.
No entanto, Sinfónicos são os ruídos: as buzinas, suspiros automobilísticos, a marreta do calceteiro no granito dos pavimentos, eco nas paredes altas das catedrais. Ao restante chamo Rapsódias, ruídos engolidos pela tecnologia ausente e pela composição musical clássica andrógina. Nestas a Imagem nasce ao acaso, filha bastarda do Movimento.
Fazemos da cidade que sentimos o nosso instrumento. Cada plano são notas soltas sobre o suporte, agora em vídeo e de alta-definição. Não existem pautas, muito menos claves de Sol. Verticais e horizontais são os acordes que rasgam a pedra das fachadas, a água das fontes, a mente das massas. O documento (Pensamento) – Imagem em Movimento, neste prisma, é sempre violento. Não nos satisfaz não violentar o olhar de quem observa ou mesmo de quem pensa tais imagens, que, afinal, são de todos. Nós mesmos sofremos com o que vemos, em particular pela razão que nos leva a faze-lo.
A Era do paralelismo da Matéria e da Memória findou. As aranhas teceram as suas teias sobre Deleuze, transformaram-no em mosca moribunda. Bergson, esse faz Nietzsche cheirar a lavanda colhida na última primavera. Desde o século XIX, o único movimento que permanece intacto é o bipolar da Terra; hoje, o Homem não é Homem, é mais Animal. A Cidade, a sua Selva.


sábado, 1 de novembro de 2008

2X Eastwood

Clint Eastwood, apesar da idade, apresenta uma imensa vaga criativa, e se já se falava em Oscars a quando do anúncio de "The Changeling", agora após a estreia do mesmo reforçam-se os rumores, ainda mais quando ainda a tempo da corrida para os galardões da academia, irá estrear "Gran Torino", realizado e protagonizado por Eastwood, que volta a ter armas na mão... Dirty Harry renasce, mas mais idoso.


quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Esquecer Depois de Ver...



Perdoem-me o trocadilho barato, mas "Destruir depois de Ler" é incompreensivelmente mau.
Não sou um fã, das convulsões cinematográficas dos Coen, gosto O BARBEIRO, delíro com THE BIG LEBOWSKI e tenho uma paixão secreta por IRMÃO, ONDE ESTÁS.

Depois de um filme mais uma vez aclamado, vendedor de Oscars, NO COUNTRY FOR OLD MEN, lá decidem os Coen, juntar uns amigos e relaxar.
Ok... estão no seu direito, mas a prepotência é muita e nem a relaxar deixam de lado aquela vertente geek que muito me irrita.
Resumidamente e para não me irritar muito, "BURN AFTER READING", resume-se a um "jogo" de espiões do tipo infantil, em que os amigos Clooney, Pitt e Malkovich se limitam a divertir-se aos saltos e gritos para a câmara. Para finalizar, um filme infeliz de mentes de 12 anos que deliraram a ver Hitchcock (veja-se o poster).

Por onde anda o Génio?


quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Duchamp e Cage



Não são génios. São pessoas como as outras, mas com algo pertinente a fazer e a dizer.
Goste-se ou não, dá sempre que falar, e pensar a quem se der a esse trabalho.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

NIILISMO POP???



Perto da Norma, Longe da Norma.

Richard Kelly e "Southland Tales" no limite existencialista.

Porquê? não se responde, sejamos niilistas.

We Got "MILK"

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Depois de sair de uma Escola de Cinema...

...fartei-me de Cinema, fartei-me de filme, fartei-me de histórias, fartei-me de técnica, fartei-me de tudo um pouco.


Mas soube-me muito bem ver estes dois:

...e tão diferentes são.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

"Deambuladores"



"Deambuladores" de Ana Maria Carneiro, Luís Carneiro Ferreira, Manuel Pinto Barros avec Coutinho

SINOPSE:
"Onde se vê o Porto, não se poderia ver Paris. Onde se ouve "À Bout de souffle" de Jeam-Luc Godard, deveria ouvir-se "Chico Fininho" de Sério Fernandes."


http://www.youtube.com/user/AEAproduction

domingo, 24 de agosto de 2008

What a HELL?


O Poster e o trailer de Hellboy2 vem acompanhado de um pomposo "DO VISIONÁRIO realizador de PAN'S LABYRINYH".
Perdoem-me todas as pessoas que acreditam que o homem é um visionário, mas isto é a maior barbaridade que já ouvi e li.
O que é um visionário afinal??? Ou melhor, o que será um Realizador???

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Meu Caro Miguel:

Escrevo-te de um país longínquo - a Várzea dos Amarelos.
Daqui a uns dias, neste querido mês de Agosto, o "Senhor dos Aflitos" (que é como nós todos estamos - por amores ou desamores) vai passar em frente ao Coreto de Maçãs de D. Maria, que eu filmei há 32 anos.

Ao ver o teu filme lembrei-me da minha mãe (com os seus cantos e descantes) e do Diogo, nos meus ombros. Como o tempo passa!
É esse Portugal - "nosso remorso", como disse o O''Neil - que passa também no teu filme; "ladino como um pardal" e, no fundo, melancólico, apesar do "progresso" do Prof. Cavaco.

Há uma sequência - a final (a tua discussão com o Vasco Pimentel) - que me confirma o que sempre pensei de ti como cineasta: não és cego aos sons nem surdo às imagens.
Vendo "Aquele Querido Mês de Agosto" acho que Portugal - finalmente! - ganhou a estafeta dos 40 anos de uma cinematografia; que é tão estranha que do documentário faz ficção e do real faz imaginário.

O testemunho foi-te passado - desde "Os Verdes Anos" até aos "Lisboetas" - vê lá se me ganhas uma medalha de pódio...
Se Deus quiser - e se tu fores fiel a ti próprio - havemos de lá chegar (apesar dos sociólogos, antropólogos e até dos críticos de cinema). E, claro, do ICA (que esse por pudor não existe).
Apesar de tudo - nós por cá todos bem!


Fernando Lopes (Realizador)

in cinecartaz.publico.pt

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Não se encontra...

NADA, em "Wanted" de Timur Bekmanbetov.
Realizador Russo em Hollywood, como peixe na água. Superfície e muito à superfície, acente em nada de físico, filme fabricado em daisy-chain num estudio carregado de Mac's.
Na verdade é uma verdadeira e cruel dor de cabeça, que a espaços só o acto de olhar "para" Angelina Jolie, e não para a personagem, consegue dissipar.



E pensar que um dia na conversa com um tipo numa escola de cinema me disse "Deviamos ver mais cinema europeu... tipo russo, "Nightwatcher"... "
O filme é deste Timur Bekmanbetov, e para me convencer ainda disseram que Tarantino tinha gostado.

Ok. Não me convenceram. Não devem ter ouvido falar que o Cinema Russo existe antes de Timur Bekmanbetov, ou que Sokurov é uma marca de Vodka e Eisenstein é um cientista, e até que Tarkovsky é uma companhia aérea ou Pudovkin um lider da máfia russa.

As excepções existem...

Nem tudo o que é cinema americano é mau... nem tudo o que é "Contemporâneo", sendo que ser contemporâneo não é o mesmo que estar vivo, é realmente mau.

Este é uma das muitas excepções à regra do "USA SUCKS".

Joy in Silence

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Acreditar na Imagem e Acreditar no Som...

... Acreditar no CINEMA



"ARQUIVO" de Sandro Aguilar.

Longe de Tudo. Fonte inesgotável de morte e vida. São ciclos milagrosos.

E Paulo Ares é um enorme director de fotografia.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Recebi um e-mail!!!

Vinha descrito que uma "empresa", não interessa qual, procurava pessoas para determinada função e o que ofereciam era...

"Oferece-se:
- Estágio de 3 meses, não remunerado, para os escolhidos
- Muitas horas de diversão
- Possibilidade de integração em equipa jovem e muito dinâmica"

Oferece-se Estágio não remunerado???? Bela oferta.
Obrigado

Pode ele ser o "Dark Knight"?


Este novo Batman, "The Dark Knight" é bem mais interessante que "O Início".
Uma coisa fica bem impressa, é o sentido social e cultural. O tempo e o Espaço são impressos não por dia/noite e Gotham City, mas por pós 9/11 e os Estados Unidos da América.

domingo, 27 de julho de 2008

Com alguma consciência...

Mas existe alguém que saiba o que realmente é o Cinema. E será que o Cinema é algo "realmente" qualificável em meia dúzia de palavras, mais ou menos científicas?
Começa-me a meter um nojo inqualificável, tudo o que começa a ocorrer à volta de "Batman: The Dark Knight", os críticos não gostam, o que é legítimo, e muita gente gosta, o que é também legítimo. O que não me parece digno é alguém de forma quase insultuosa colocar em causa o direito de opinião de um ou outro crítico, assim como um ou outro tome partido de um crítico, só porque vê o que é tido como CINEMA da mais alta gama. E depois entra-se numa discussão sem sentido.
Mas afinal o que é o cinema?
Por mim, vejo um Bresson e a seguir vou ver o "Batman de Nolan"

Eresia?